Dia do Vôo: 4 de janeiro de 2008
Após um mês sem voar por ``N`` motivos, fui para V. Valério na sexta passada
para matar a vontade, ainda mais sabendo dos ótimos vôos de Pancas. Na rampa,
exatos 14 pilotos. Almir, Elcimar, Eu, Zazá, Leo Giestas, Zé Gotinha, Paulo
Woops, Luís ``The Bruxa``, Sérgio, Vagner careca, Edmar Federal, Reinaldo,
Tarcísio e Clementino ``mestre yoda``.
Desde cedo o céu apresentava boas nuvens e um vento razoável que ajudaria um
bocado no XC. Já na rampa, todo mundo se equipou rapidamente e todos prontos
para a decolagem. O vento estava nordeste e na faixa de 15 a 20km/h. Mas, um
detalhe me chamou a atenção antes da decolagem: As nuvens para o lado direito da
tirada(são gabriel, pancas, nova venécia e etc...) já começavam a dissipar e as
da rota para colatina, baunilha e linhares, ficavam mais ralas.
Optei em decolar na frente, pouco depois de meio dia e meia, assim que vi 3
urubus subindo fora do relevo, na direita da decolagem. Em menos de 3 minutos
todos já tinham decolado e subíamos junto. Como cheguei na frente e zazá logo
atrás, conseguimos subir bem na bolha e já derivamos rapidamente para trás da
rampa. Até a segunda termal(KM 12) estava voando com o Zazá e notei que a
maioria do pessoal subiu em outro ciclo e alguns até mais altos que a gente. Uma
parte veio atrás e outro pessoal em outra rota(são gabriel). Clementino que
chegou depois na rampa, fez o resgate dos poucos que pousaram na frente da
rampa. Das 13 decolagens, se não me engano, apenas 4 pousaram ali na frente e 9
estavam nas tiradas.
Zazá que ficou uns 200-300m mais alto que eu, forçou o vôo para são gabriel
(indo para minha direita) e eu optei em tocar pra frente(a direita de valério) e
arriscar tudo numa nuvem que formava logo a frente. Quem tiver curiosidade de
checar o track log vai notar isso. Voamos baixo até o KM 12, mas depois foi só
alegria.
Acertei na decisão de tocar o vôo para esse restante de linha de nuvens e o vôo
rendeu um pouco melhor que as outras rotas do dia. Voei alto boa parte do vôo e
só fiquei baixo(800m) uns 5km antes do rio doce e no trevo de j. neiva(250m).
Tarcísio e Almir vieram na direção que eu tomei e fizeram excelentes vôos. Cada
um quebrando seu recorde pessoal de XC, sendo que o tarcísio passou dos 70km
voando de velame saída de escola !
Cheguei no KM 80, onde eu já tinha pousado outras 2 vezes(Baunilha), mas com
média de vôo maior nas vezes anteriores. Nesse momento eu já estava com 3 horas
de vôo. Mas, dessa vez cheguei alto e subindo numa termal bem fraca.
Infelizmente o céu azulou total e dai a dúvida a 1600m: Forço o vôo na minha
esquerda(vento lateral) pra chegar na BR-101 e retorno pra casa ou forço o vôo
subindo a serra(empopado) em direção a são roque do canaã/itaguaçu ??? Como o
céu já estava todo azul e pra não entrar pra dentro de são roque e subir a serra
e ficar numa baita roubada pra pousar, optei na opção 1.
Como a média horária não estava o melhor de valério e optei em voltar pra casa,
ainda tinha esperança de passar dos 3 digítos decolando de Valério. Voei mais
10km de Baunilha até o trevo de João Neiva com vento lateral e acredito que numa
convergência, já praticamente mantive a altitude e parava apenas para uma ou
duas voltas quando o vario apitava um pouco mais forte. Quando sai da
convergência, começou a preocupação nos pedrocos de J. Neiva, porque o vento
entrava de lado e era rotor pra todos os lados que eu olhava. Já estava em
procedimento de pouso do lado do trevo de J. Neiva com a BR-101 (KM 92) e vi uns
urubus no rotor do rotor, do rotor de onde eu queria pousar. Pensei, caracoles,
ganho um pouco mais de altitude e dai terei outras opções de pouso e mais
seguras que essa daqui de baixo ou pouso aqui embaixo mesmo e tá bom demais ???
Eu já estava a uns 250m do chão e bem perto do morro do trevo. Joguei nos urubus
e em menos de meia volta do lado dos urubas, o único colapso do vôo: Um baita
front stoll. ahahaha pensei comigo, Kc... voei esse monte de KM sem nenhum
colapso, catrapro, nada e vou tomar justamente perto do chão e quase pousando
!!! Dei mais meia volta e pimba. termalzão de 4 m/s lisa lisa. Foi a única hora
que senti falta da filmadora, porque cheguei nos 1600m tranquilamente e avistei
bem nítido: Ibiraçu, Coqueiral de Aracruz(Mar) e o Mestre Alvaro.
Bom, dos 1600m em cima do trevo de J. Neiva, alinhei novamente com o vento e com
a cordilheira. Voei por pouco mais de 12km e curtindo o visual, porque já sentia
que era o planeio final. Passei por Ibiraçu e vi a rampa de lá na minha
esquerda. Quando fiquei da altura da cordilheira, o vento até que proporcionava
um lift fraco e eu avistava Fundão logo atrás (rotor). Pensei e refleti:
Caracas, voei mais de 100km sem precisar de encostar em morro nenhuma vez, e
agora vou ter que liftar em cima de uma mata enorme e cheia de rede elétrica pra
esticar esse vôo um pouco mais ? Tomei a decisão de voltar, abortar o lift e
chegar alto para procedimento de pouso. Pousei super tranquilo e rapidamente
dobrei o equipo, peguei carona e busu pra Vitória. No caminho do Busu, me
ligaram, desci no trevo da Rod. federal e o sérgio + vagner careca me trouxeram
até VV. Provável que um piloto mais arrojado fcasse no relevo e ganhasse pra
chegar em Fundão ou um pouco mais longe. Mas como sou péssimo pra encostar em
morro, desisti.
O que tiro de bacana desse dia de vôo:
- A volta do Zazá para o vôo. Gosto muito do vôo dele. Sobe bem demais e voa
super rápido;
- Vários pilotos quebraram seus recordes pessoais de altitude e distância;
- Acertei bem nas decisões de rota e ciclos térmicos;
- Chamar o Gilber no rádio a 2000m em cima do rio doce e não ouvir nada, apenas
silêncio...;
- Ouvir no rádio: Tio Ari ! Tio Ari ! é vc que tá termalizando ai perto do RIO
JUCU ? Daí respondi: Tarcísio: Aquilo ali é COLATINA e não a barra do jucu !!!
Esse aqui é o Rio Doce !!!
- Ninguém se machucou. Todo mundo inteiro.
Sei que tem um monte de piloto que sonha em voar 10, 20, 30 , 100, e muito mais
KM`s. Minha dica é pegar um bom dia de vôo, sair com resgate, nos. telefones
importantes, um bom rádio e estudar um pouco de ciclo térmicos e nuvens.
Entender que um vôo longo, seja aqui no ES, Valadares, Quixadá e etc... Nunca é
feito sempre na base da nuvem e acelerado. Em várias fases de um vôo assim, o
piloto tem de mudar sua postura de pilotagem. Alternar entre voar lento e rápido
de acordo com as mudanças do dia.
Uma pena a condição de sexta não estar o clássico de V. Valério, pois o céu
azulou todo as 3 e meia da tarde e as térmicas estavam fracas. No máximo 4m/s e
em raros momentos da subida. Se tivesse um dia perfeito, certamente a turma que
voou de 50 a 70 passaria dos 100km e eu, se continuasse com a margem de acertos
maior que as de erros, tranquilamente passaria dos 140-150km. Lógico que nesse
dia eu estava inspirado e voando bem a vontade. Nada que me impedisse de fazer
um baita prego no carrapato no dia seguinte. Uma coisa é certa, num vôo de XC, a
gente sabe que vai pousar, mais cedo ou mais tarde. As tomadas de decisão e tudo
mais, servem para que a gente apenas adie esse momento inevitável.
Quem tiver a curiosidade de checar o Track Log, ele já está disponível no site
do XC 2008, mas não consigo usar o novo aparelho de vôo no track maker, dai o
formato está para o compegps.
Ah, uma pena que a condição foi piorando de sexta para o fim de semana. No
sábado, pelo que me contaram, estava norte/noroeste e bem forte o vento.
Forte abraço e saúde,
Ari.
Piloto: Ari Nascimento Rosa
Parapente: Gradient Aspen II
Selete: Kortel Kamasutra II
Instrumento: Compeo +
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